Foto: Camila Porto / Reprodução
Na sessão desta quinta-feira, definiu-se a composição da CPI que irá investigar o sistema de transporte público do município
A Câmara de Vereadores de Santa Maria definiu, na tarde desta quinta-feira (19), a composição da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que irá investigar o sistema de transporte público do município. A medida foi estabelecida poucos dias após o protocolo do pedido, apresentado na última sexta-feira (13) pelo vereador Tony Oliveira (Podemos), em meio à repercussão do recente aumento da tarifa.
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A CPI será composta pelos vereadores Adelar Vargas (MDB), Guilherme Badke (Republicanos), além de Tony Oliveira. O pedetista Luiz Fernando Cuozzo Lemos chegou a receber alguns votos, contudo os parlamentares da base receberam o maior número de indicações e terão controle total da CPI.
Os vereadores Alice Carvalho (PSol) e Werner Rempel (PCdoB) optaram por não indicar nomes para integrar a comissão. E pedetista Luiz Fernando Cuozzo Lemos chegou a receber uma indicação, contudo os parlamentares da base receberam o maior número de votos e terão controle total da CPI.
A discussão em plenário foi marcada por um clima de tensão, com trocas de farpas, críticas entre parlamentares e posicionamentos divergentes sobre a condução da investigação. Vereadores da base e da oposição protagonizaram embates, com acusações sobre a legitimidade da CPI e questionamentos sobre os reais objetivos da comissão. O tema do transporte público, que já vinha mobilizando a população nos últimos dias, também acirrou os ânimos dentro do Legislativo, refletindo a polarização em torno do assunto.
O que diz o autor da proposta
Durante a sessão, o vereador Tony Oliveira criticou a postura de parlamentares da oposição e defendeu a legitimidade da comissão.
– Nenhum dos vereadores da esquerda votou favorável para abrir a CPI do transporte público em Santa Maria. Se querem tanto investigar, por que não estão juntos? Primeiro deixa sair o resultado da CPI, depois podem criticar à vontade – afirmou o autor da proposta de criação da comissão de inquérito.
O que diz a oposição
Já a vereadora Marina Callegaro (PT) contestou a forma como a comissão foi constituída e afirmou que a oposição optou por não participar por considerar a iniciativa sem efetividade:
– Muito me honrava participar de uma CPI, mas jamais de uma CPI que não trate com seriedade. Uma comissão precisa ter compromisso com a verdade e com a população, e não pode ser usada para criar uma falsa sensação de investigação – declarou.
Contexto
A abertura da investigação ocorre em um cenário de forte debate público sobre o transporte coletivo em Santa Maria, especialmente após o reajuste da passagem, que elevou o valor para R$ 7,25 no pagamento em dinheiro e R$ 6,65 no cartão. Em oito meses, o tarifa subiu 45%. A CPI terá como foco principal a análise da planilha de cálculo tarifário e o processo de licitação do serviço, temas que têm sido alvo de questionamentos por parte de vereadores, entidades e usuários.
O tema também tem mobilizado a população nos últimos dias, com protestos, atos organizados por estudantes e críticas recorrentes às condições do serviço, redução de linhas e qualidade da frota.
A instauração da CPI marca mais um capítulo das discussões sobre o transporte público na cidade, que envolvem desde o equilíbrio financeiro do sistema até a qualidade do serviço prestado à população. Com a formação da comissão, os integrantes já podem iniciar os trabalhos.
Os integrantes da CPI
- Tony Oliveira (Podemos) - Autor da proposta
- Adelar Vargas (MDB) - 3 indicações
- Guilherme Badke (Republicanos) - 4 indicações